Campinas sediará 21º ENSPD em 2028 com foco em inovação e novas culturas

Da Redação FEBRAPDP

Campinas sediará 21º ENSPD em 2028 com foco em inovação e novas culturas
Imagem gerada por IA

O 20º Encontro Nacional do Sistema Plantio Direto (ENSPD) chegou ao fim no último dia 9 de julho. Realizado em Brasília, lançou luzes sobre a Agricultura Regenerativa e seu futuro no Brasil. Um futuro vivo e que já começou. Prova disso é que a FEBRAPDP definiu e já começou a trabalhar na próxima edição. O 21º Encontro Nacional do Sistema Plantio Direto será realizado em Campinas (SP), em 2028! Reunirá ciência, inovação, produtores, empresas e instituições de referência para fortalecer o Sistema Plantio Direto. Para essa jornada, a FEBRAPDP contará com parceiros como IAC, CCARBON/ESALQ/USP, UNESP e UNICAMP. Depois de 26 anos, o maior evento de agricultura conservacionista está de volta a São Paulo.

A escolha de cidade veio como uma decisão estratégica e "muito natural", segundo a presidente da entidade, Maira Lelis. Para ela, Campinas tem a força de uma região que representa a pesquisa e a inovação. "Nós temos instituições de excelência, como o IAC, UNICAMP, CCARBON/ESALQ/USP, UNESP e Embrapa. Um dos maiores polos de conhecimento agrícola da América Latina. Um ambiente que favorece muito a integração da ciência com o produtor", afirma.

A última vez que o Estado de São Paulo sediou o encontro nacional foi em 2002, em Águas de Lindóia. Marie Bartz, diretora da FEBRAPDP, destaca o significado histórico do retorno: "A edição de 2028 representará o retorno do evento ao território paulista após 26 anos."

Já o pesquisador Afonso Peche Filho, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que está à frente da mobilização local, detalha os fatores que pautaram a escolha: "A cidade possui uma relação muito forte com a agricultura brasileira e abriga o IAC, instituição que, há mais de um século, contribui para o desenvolvimento da pesquisa agrícola, da conservação do solo, do manejo da água e dos sistemas sustentáveis de produção."

Além do IAC, a região concentra ainda a CATI, APTA, UNICAMP, PUC-Campinas, duas unidades da Embrapa e, regionalmente, a ESALQ/USP, a UFSCar e a UNESP. "Essa concentração de competências oferece condições muito favoráveis para a realização de um encontro nacional", completa Peche.

Novas fronteiras: SPD além dos grãos
Um dos principais objetivos ao se escolher por levar o evento a São Paulo é também ampliar o debate sobre o Sistema Plantio Direto para além das culturas de grãos, abrindo espaço para cadeias produtivas estratégicas do estado. Neste sentido, Maira destaca a importância de aproximar o SPD de diferentes realidades: "Trazer mais produtores rurais, mais acadêmicos, porque são esses acadêmicos que vão continuar contando a história."

Marie aprofunda essa visão: "São Paulo possui uma agricultura extremamente diversa e economicamente relevante, com cana-de-açúcar, citros, café, grãos, hortaliças e sistemas intensivos de produção. A cana-de-açúcar, por exemplo, representa uma fronteira muito importante para discutirmos a aplicação dos princípios do Sistema Plantio Direto e da Agricultura Regenerativa. Nas culturas perenes, como café e citros, também existem muitas possibilidades de avanço."

Para Maurício Cherubin, professor da ESALQ/USP e membro do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON/USP), a escolha de Campinas não poderia ser mais acertada. "A posição estratégica da cidade, o ecossistema de inovação na agricultura e a concentração de instituições de pesquisa criam um combo de oportunidades para fazermos um evento grandioso, expandindo o escopo para culturas como cana-de-açúcar, citros, café e outras espécies", diz.

Peche Filho complementa: "O SPD não deve ser compreendido apenas como um sistema destinado às grandes culturas produtoras de grãos. Seus princípios podem orientar também a fruticultura, a cafeicultura, a horticultura, a cana-de-açúcar e outros sistemas agrícolas presentes no Estado de São Paulo."

Lições de Brasília para Campinas
A edição de Brasília, realizada de 7 a 9 de julho de 2026, deixou aprendizados importantes que orientarão a organização do evento em 2028.

"Brasília nos ensinou muito sobre resiliência. Tivemos que adaptar espaços, rever atividades, reorganizar a programação e encontrar soluções em um cenário financeiro bastante difícil. Ainda assim, não abrimos mão da qualidade e do propósito do evento", resume Marie.

Ela também ressalta a importância da integração entre ciência e prática: "Aprendemos que aproximar pesquisadores, técnicos e agricultores torna as discussões mais vivas e mais verdadeiras. Quando a ciência conversa com quem está diariamente no campo, todos aprendem."

Para Maira, o principal aprendizado foi sobre responsabilidade: "A cada edição, nossa responsabilidade aumenta porque precisamos sempre superar a anteiror. Para isso, contamos com um corpo técnico-científico muito grande e competente, que conseguem fazer e se superar a cada encontro."

Nessa esteira, Peche Filho destaca a necessidade de planejamento antecipado: "Para Campinas, levamos a certeza de que a mobilização institucional e a captação de recursos precisam começar muito cedo. Um evento dessa dimensão exige planejamento, compromisso e parceiros que compreendam que apoiar o Sistema Plantio Direto é investir na conservação do solo, na segurança alimentar, na água, na biodiversidade e na resiliência da agricultura."

Já Vagner do Nascimento, professor da UNESP/FCAT e membro do Conselho Deliberativo da FEBRAPDP, avalia que a experiência de Brasília fortaleceu a confiança da equipe e ampliou a visão sobre o potencial do Sistema Plantio Direto para diferentes realidades agrícolas.

Expectativas para 2028
Com a proximidade das instituições paulistas e a diversidade agrícola da região, as expectativas para o 21º ENSPD são elevadas. A presidente da FEBRAPDP expressa seu entusiasmo: "A minha expectativa é muito grande porque eu sou do estado de São Paulo, eu conheço todas essas instituições, temos muito trabalho aqui dentro da fazenda, validando metodologias, conceitos que essas instituições têm conseguido dentro da ciência. Eu tenho certeza que vai ser mais um encontro incrível, com muita ciência, muita experiência, muito diálogo."

Cherubin compartilha do mesmo otimismo: "A minha expectativa é a melhor possível, de fazer um grande evento reunindo pesquisadores, estudantes, professores das várias instituições regionais aqui de São Paulo, mas também permitindo a participação de colegas, estudantes, produtores rurais das várias regiões do país. Vai ser uma bela oportunidade de consolidar esse evento aqui em São Paulo."

O professor da ESALQ também destaca a conexão com os centros urbanos: "Nós estamos próximos a grandes centros urbanos que consomem essa produção. Isso pressiona o meio rural a produzir de forma cada vez mais responsável, sustentável, produtos de melhor qualidade. Ter um evento que aborda essa temática, centralizando o uso do Sistema Plantio Direto para a melhoria da saúde do solo, vai ser uma excelente oportunidade de conectar todos esses atores dentro de um mesmo interesse comum."

Peche Filho reforça a responsabilidade de sediar o evento: "Receber um encontro dessa importância significa acolher agricultores, pesquisadores, técnicos, estudantes, dirigentes e representantes de diferentes segmentos da agricultura brasileira. Meu desejo é que cada participante retorne à sua região levando não apenas informações, mas também novas perguntas, novas relações profissionais e uma compreensão mais ampla sobre o papel do SPD na sustentação da vida e da produção."

Para Nascimento, a expectativa é que o evento "se consolide como o principal fórum voltado à agricultura conservacionista, um motor de transição para sistemas de produção mais sustentáveis, promovendo um intercâmbio sem precedentes de tecnologias e experiências. O foco em temas urgentes como bioinsumos, saúde do solo e estratégias para o sequestro de carbono gera a expectativa de que sairão dali soluções reais para aumentar a rentabilidade do produtor e garantir a segurança alimentar global e tecnologia de enfrentamento das mudanças climáticas tão evidente atualmente da agricultura."

Cherubin conclui: "Esse evento se alinha muito bem com a missão do CCARBON de desenvolver soluções visando reduzir as emissões de gases de efeito estufa, aumentar o sequestro de carbono e produzir de forma mais equilibrada e sustentável. Nós estamos bastante empolgados em fazer um belo evento e uma bela entrega para a sociedade brasileira."

Encontro para fazer história
O 21º Encontro Nacional do Sistema Plantio Direto será realizado em Campinas (SP) em 2028, com organização da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto (FEBRAPDP) em parceria com instituições como UNICAMP, CCARBON/ESALQ/USP e UNESP. Todas as informações sobre programação e inscrições serão divulgadas oportunamente.

Uma coisa já é certa: todo o setor já pode ir se preparando. Campinas será o palco para mais um grande entrelaçamento entre a Agricultura Regenerativa e pesquisadores, técnicos, produtores rurais, estudantes e todos que acreditam que o futuro da agricultura passa pela conservação do solo, pela regeneração e pelo conhecimento compartilhado. Em 2028, o encontro promete ser histórico. Ninguém vai querer ficar de fora!